Artigo - Ana Cruz - Liderança
Liderança

"Continuar a amar é dizer adeus(1)… e liderar também!"

Este excerto de Daniel Faria tem atravessado, ao longo do tempo, todas as dimensões da minha vida. Serve de bússola para que o meu caminho se continue a percorrer, conforta nas sombras enquanto aponta, mesmo sem certezas de o alcançar, um horizonte.

Na criação de um projeto, amar é a palavra de ordem. Entre dúvidas e, tantas vezes, retrocessos, só o amor a ele nos faz permanecer e lutar para o fazer efetivamente crescer.

É, por isso, preciso liderar… desenvolver a primeira ideia, a primeira estratégia, o primeiro modelo, tudo isto, na maioria das vezes, atabalhoadamente, fazendo fé que a sorte acompanhará o muito esforço e trabalho.

Mas continuar a liderar, em dado momento, também é (saber) dizer adeus… Há uma forma de liderança que não se mede pelo apego ao que sempre foi feito, e como foi feito, mas pela coragem de deixar ir, de apostar seguir em frente explorando novos caminhos.

Tal como no amor, liderar implica reconhecer que um ciclo terminou, que já não serve o projeto, nem as pessoas, e insistir é impedir o crescimento.

Vivemos numa época em que a liderança tem de estar centrada nas pessoas, porque são elas que continuam a dar corpo ao projeto e ninguém cresce num espaço estagnado.

Um projeto evolui quando as pessoas são desafiadas, quando aprendem, quando se reinventam, quando se sentem livres para criar. E isto exige líderes capazes de se desapegar de processos antigos, de estruturas rígidas, de ideias e modelos que já não respondem ao presente.

Dizer adeus, apesar de tudo, nunca é desistir… É sempre, isso sim, escolher melhor, amar mais!

Neste contexto em concreto, é ainda perceber que investir nas pessoas significa criar caminhos para que elas possam evoluir e o projeto crescer.

Implica obrigatoriamente apostar na formação profissional como motor de transformação técnica e, cada vez mais, humana. Porque formar é ensinar competências, mas vai mais além… abre horizontes, estimula o pensamento e sentido crítico, incentiva à autonomia e confiança.

Um líder que aposta na formação profissional está, na verdade, a dizer à sua equipa: juntos vamos mais longe, mesmo que, por caminhos diferentes dos que conhecemos! O medo, claro, tem de dar lugar à coragem. Coragem para abandonar as zonas de conforto; coragem para falhar e aprender; coragem para trocar segurança por evolução!

As organizações que crescem são aquelas que entendem que o valor está nas pessoas e formá-las profissionalmente é garantir-lhes esse valor. É, pois, necessário apostar na formação profissional para haver mudança, desenvolvimento e inovação.

Liderar, então, torna-se num ato de amor exigente que cuida, desafia, deixa crescer, sabendo dizer adeus ao que já não serve, para dar espaço ao imenso que o futuro deseja ser.

1 Daniel Faria, O Livro do Joaquim — Assírio & Alvim.