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Simone Gonçalves Finanças Pessoais

Para onde vai o meu salário? Do extrato bancário à regra 50/30/20

Um método simples, em dois passos, para perceberes para onde vai o teu dinheiro e assumires o controlo do teu orçamento.

⏱ 3 min de leitura ✍ Simone Gonçalves

Já sentiste que o salário entra na conta e, em poucos dias, parece desaparecer sem saberes bem como? Entre subscrições esquecidas, pequenas compras do dia a dia e as despesas fixas, é fácil perder o controlo do orçamento.

Gerir o dinheiro não precisa de ser um bicho de sete cabeças nem exigir folhas de Excel complexas. Como contabilista da nossa empresa, o meu objetivo hoje é dar-te um método simples para assumires o controlo da tua carteira em apenas dois passos.

Passo 1: Fazer o "RX" ao teu extrato bancário

Antes de definir qualquer meta, é preciso saber de onde se parte. Reserva um momento esta semana — visto que para a semana vais receber o teu salário — para olhares com atenção para o extrato bancário do último mês:

  • Pensa nas tuas despesas para as dividires em três categorias: Fixas/Básicas Obrigatórias, Variáveis/Lazer e Poupança.
  • Se a aplicação do teu banco o permitir, exporta o teu extrato para Excel e cria duas colunas adicionais: uma para atribuíres a categoria e outra para a subcategoria, se considerares necessário teres mais detalhe na tua análise.
  • Presta atenção aos "pequenos invisíveis": aquele lanche ou café diário, as entregas de comida em casa, as subscrições ou as compras por impulso. O objetivo não é sentir culpa, mas sim ganhar consciência da forma como gastas o teu dinheiro. Talvez, ao veres o total mensal destes pequenos gastos, te surpreendas… e reflitas!

Passo 2: Aplicar a Regra 50/30/20

Depois de saberes exatamente para onde vai o teu dinheiro, ajusta-o a esta estrutura simples e equilibrada:

Percentagem Categoria O que inclui?
50% Necessidades Básicas Renda/prestação da casa, luz, água, comunicações, supermercado, transportes e saúde.
30% Estilo de Vida e Lazer Jantares fora, viagens, hobbies, ginásio e compras pessoais.
20% Futuro e Poupança Fundo de emergência, PPR, investimentos ou amortização de dívidas.

A dica da especialista: "Paga-te a ti primeiro"

O erro mais comum é tentar poupar o que sobra no fim do mês — porque, na verdade, raramente sobra alguma coisa.

Faz diferente! Assim que o salário cair na conta, agenda uma transferência imediata dos 20% para uma conta de poupança separada. Trata a tua poupança como se fosse uma conta obrigatória a pagar a ti próprio. O que ficar na conta principal é o que tens disponível para gerir ao longo do mês com total tranquilidade.

Esta regra não é fixa, nem tem de funcionar para todos! Adapta as percentagens à tua realidade e altera-as de acordo com os teus objetivos, mas nunca deixes de poupar, por mais pequena que seja a percentagem!

Precisas de ajuda para dar os primeiros passos?
A literacia financeira começa com pequenos gestos. Se quiseres trocar impressões sobre como organizar o teu orçamento ou por onde começar a criar o teu fundo de emergência, passa pela minha mesa para tomarmos um café ou envia-me uma mensagem!
IRS 2025

IRS 2025: o que pode fazer pelo seu IRS

O prazo para a entrega do IRS já começou. Saiba o que deve confirmar, quando entregar e que simulações pode fazer para evitar erros e maximizar o seu reembolso.

📅 Abril 2026 ⏱ 3 min de leitura ✍ Simone Gonçalves

1. O prazo já começou — mas não há razão para pressa

A partir de 1 de abril de 2026 está aberto o prazo para a entrega do IRS referente aos rendimentos de 2025. Tem até 30 de junho.

Usar bem este tempo, verificar, simular e só depois submeter, pode fazer toda a diferença no resultado final.

2. Quando entregar — nem nos primeiros dias, nem nos últimos

Nos primeiros dias podem surgir erros na plataforma da Autoridade Tributária. No final do prazo, há maior sobrecarga do sistema. O ideal é escolher um momento intermédio.

3. Entrega automática — quando faz sentido

A entrega automática pode ser útil para situações simples. Ainda assim, deve sempre simular antes de submeter.

Se a sua situação for mais complexa, confirme todos os dados e opte pela submissão manual após validação.

4. O essencial a confirmar antes de submeter

4.1 Agregado familiar

  • Rendas: confirme que estão corretamente declaradas.
  • Dependentes: verifique se constam corretamente.
  • Estudante deslocado: confirme se está registado.

4.2 Deduções e despesas

  • Saúde e educação: reveja todas as faturas.
  • Habitação: confirme os juros do crédito à habitação.
  • IVA: só conta se estiver validado no e-fatura.

4.3 Situações especiais

  • Incapacidade: confirme a comunicação à AT.
  • IRS Jovem: verifique se está aplicado.
  • PPR: avalie antes de utilizar a dedução.

4.4 Simulações importantes

  • Entrega conjunta vs. separada: simule ambas.
  • Englobamento: compare antes de decidir.
Estas são algumas das principais regras para o IRS de 2025. Como cada caso é único, poderá ser útil consultar um contabilista certificado para garantir o melhor resultado.